
E para os leitores que ama um suspense (assim como eu) Silent Hill é uma franquia mais que querida por esta que vos escreve. Junto com Resident 2, o primeiro Silent Hill foi um dos games que eu mais joguei distante a época áurea das casas de jogos lotadas de Playstation 1. Silent Hill 2 eu só joguei uma vez (apesar de amar a franquia), e confesso que, apesar dos lindos gráficos e história adulta e pesada, dificilmente eu pretendo voltar aos recônditos da mente perturbada de James Sunderland novamente.

Silent Hill 3, por sua vez, seria meu preferido da franquia, caso esse posto já não fosse ocupado pelo primeiro game. Possui gráficos insanamente bonitos pra sua época e um excelente enredo.
O homecoming foi um total espanto (no bom sentido, calma) no tocante a gráficos e atmosfera, um ótimo título pra entrar na geração do PS3 e testemunhar do que o tijolo de multiprocessamento da Sony era capaz de fazer. Infelizmente, suas qualidades param por aí mesmo.

Mas pra falar em surpresa no PS3, Silent Hill Downpour é um título que poderia facilmente se revelar como o melhor episódio da franquia (no tocante a exploração de mundo aberto). caso a Konami tivesse dada a merecida atenção ao projeto. Esse com certeza, é um dos meus três Silents preferidos.
Depois desse fan service de excelente nível aos apreciadores de blog, é chegada a hora de finalmente descobrir o que eu achei da versão de Silent Hill pro pequeno notável da Sony.
SE NÃO SE ACANHE, SE APROCHEGA E VENHA COM A GENTE NESSE RESUMÃO

HISTÓRIA (6,5)

Silent Hill Origins se passa antes dos acontecimentos do primeiro Silent Hill, mais precisamente no exato momento em que a família Gillespie revolveu fazer um churrasco para comemorar o dia das crianças, se é que você me entende…

Continuando…
Nessa hora, o caminhoneiro Travis estava passando por uma rodovia da cidade, quando fica curioso com a fumaça (que ele julgava ser névoa, ok, né? Já que é uma sacada bem legal e tradicional desse jogo) e entra numa casa em chamas só porque não consegue controlar sua curiosidade mórbida. Aliás, guarde esse substantivo (curiosidade) na sua memória (e o “mórbida” também), pois é ele que vai justificar a maioria das loucuras que o protagonista vai fazer durante todo o enredo.
O que eu irei dizer agora nem conta como um spoiler (calma!!), já que acontece nos momentos iniciais do jogo, mas sinta-se avisado caso intente jogar sem saber de nenhum detalhezinho. Depois de finalizar a dungeon do hospital, Travis recebe de Lisa (sim, ela mesma, a Lisa que possuía alguma mínima função narrativa no primeiro jogo) a informação de que a “garota do incêndio” morreu na noite anterior. Ponto final! Foi só isso.

Qualquer pessoa normal daria meia volta e tchau tchau, mas Travis, não. Ele simplesmente vai visitando lugares bizarros (sem esboçar muito espanto com as coisas que vê) sem nem tentar voltar para seu caminhão e seguir viagem.
É certo que, um diálogo mais pra frente, quando questionado do porquê de se meter tanto em questões que não lhe dizem a respeito, ele confessa que não consegue sair da cidade. Mas isso não é representando de forma alguma durante o gameplay.
Nesse quesito de motivação, a de Travis é uma das mais fracas de toda a franquia. E o pior é que dava pra utilizar milhares de justificativas para ele permanecer na cidade. Quem já terminou o game sabe que Travis não é tão estranho no ninho assim como ele acha. (Sério que esse plot twist é uma surpresa pra você a essa altura do campeonato?)

Continuando…

Como se trata de uma prequela, outra pergunta se faz pertinente: Origins faz um link interessante, satisfatório, com o primeiro Silent Hill? A resposta é sim e não. Sim porque tudo está no lugar: os personagens clássicos do primeiro (Lisa, Kauffman, Dahlia); a presença do culto que busca a vinda do suposto deus que vai trazer o paraíso pra terra; e também alguns elementos de ligação entre os dois jogos, como Flauros em forma de puzzle (além de alguns detalhes a mais).
A parte do “Não” é porque Origins não acrescenta muito mais do que o jogador já sabia sobre os eventos que antecederam a aventura de Harry à cidade. E falo isso em questão de detalhes que poderiam ter sido mais explorados.
Nesse ponto, Origins fica meio que em cima do muro: ele abraça seu o Jericó de prequela com foda a sua força, nem se preocupa em desenvolver mais o lado dos personagens novos na série.
GRÁFICOS (9,5) E SOM (10,0)

De forma geral, os visuais de CGIs alcançados nos jogos de PSP são bastante impressionantes. Você simplesmente esquece que está jogando com um portátil nas mãos. O PSP consegue entregar resultados ai da melhores que o PS2.
Por escolha de formato e temia de jogo eu me refiro ao tipo de game que combina com a proposta e limitações. E nesse quesito Silent Hill Origins se encaixa perfeitamente.

Mas já que estou falando de forma geral, os gráficos do Origins são soberbos. É incrível como um portátil que é levemente mais poderoso que o PS2 consegue transpor com tamanha perfeição de console de mesa toda a atmosfera riquíssima de uma franquia de suspense no naipe de Silent Hill.

O acabamento visual do jogo é surpreendente. Quando ameaças surgem, só para dar um exemplo, a tela fica coberta por um um filtro de filme antigo com “falhas” de tela na imagem. Complementado pelos sons assustadores e pela música sionista, Origins tem potencial para te fazer sentir aquele medinho.

Já que eu abri um tópico falando de acabamento, então nada mais apropriado que continuar falando disso. Em poucas palavras, os visuais de Origins retratam a experiência que se espera de um silent Hill de uma forma maravilhosa. A cidade é bem detalhada, os efeitos são belos e o design é bastante inspirado, seja no mundo dark ou normal.

O Origins tem um tipo de escuridão que eu costumo classificar de “escuridão agradável” num jogo. Aquele nível de escuto que esconde as coisas sem prejudicar a exploração do jogador e sua navegação pelos cenários.
Infelizmente, nem tudo são flores, né? Os inimigos de Origins carecem de personalidade ou variedade de ações, de formal que quase todos eles não fogem muito do tem “massa incompreensível de membros do corpo humano” que só sabem vir direto pra cima cegamente.

Mas, falando de inimigos, é claro que eu não poderia esquecer de citar o bucho quadrúpede. Mesmo não tendo personalidades visual, ele ainda consegue ser bem irritante e surpreendentemente rápido.
Para agravar esse ponto negativo, que nem de longe representa um demérito no cômputo final da sua experiência no game, há um repeteco de ideias e temas de Origins que devia servir de referências ao jogos anteriores, mas que acaba apenas enchendo a paciência do jogador.


É possível controlar o fôlego de velha septuagenária fumante de Travis com os já citados enérgicos, ou com um desbloqueável em forma de roupa que deixa sua estamina no máximo.
E é aí que está o diferencial do game com relação aos outros Survival Horrors da época: Travis conta com a elasticidade de bolsos sem fundo para coletar praticamente qualquer coisa que encontre pelos cenários.

Travis pode usar qualquer item banal, como: faças e canivetes. E os mais inusitados como: lanças; pedaços de cano; luminárias; torradeiras; TVs portáteis… ok, né? Então tá.
Quanto aos puzzles, posso tranquilizar o leitor que ainda não jogou (e deve) o Origins, os enigmas quando não são muito bons, são no mínimo ok.

Um bom exemplo que consigo escrever agora é o boneco assustador do hospital (qualquer relação com o personagem Pin, do filme bizarro, é mera coincidência). É fácil perceber que dessa vez os criadores tiverem um pouco mais de esmero na elaboração dos puzzles. Por exemplo, no sanatório, Travis não consegue pegar uma chave porque ela se encontra dentro de um tanque com água fervente. Não sei vocês, mas perder a pele do braço para coletar um item, não é muito convidativo, né?

Mas então, de depois de todos esses queixumes você ficou com a impressão de que não vale a pena correr atrás do game, quero afastar essa impressão antes de encerrar o texto. Isso porque Origins é um exemplar autêntico da franquia, sendo até melhor que muitos Silent Hill.

Se você é um apreciador de Survival (como eu) de forma geral, dificilmente vai perder a maior experiência da sua vida se deixar de jogar Origins. Mas, se você é fã da franquia, vai dar seu jeitinho de conferir esse título.
E é isso pessoal. Aos que leram até aqui, um muito obrigada e até a próxima.
